Tecnologias de emissões negativas (NETs): Comparação de diferentes estratégias de remoção de CO₂
Na corrida para combater as mudanças climáticas, as Tecnologias de Emissões Negativas (NETs) surgiram como ferramentas cruciais em nosso arsenal global de descarbonização. Conforme destacado no projeto pioneiro DAC.SI do Brasil, atingir as metas climáticas requer uma estratégia abrangente que inclua esforços significativos de descarbonização e a implantação de NETs [1]. De acordo com o IPCC, precisamos de uma capacidade anual de remoção de CO₂ de 10 GtCO₂ até 2050 para atingir nossas metas climáticas globais [2]. Vamos explorar o cenário dessas tecnologias e como elas se comparam.
Um detalhamento de DAC vs. BECCS vs. Remoção de CO₂ baseada no oceano
Captura direta de ar (DAC)

A tecnologia DAC remove diretamente o CO₂ da atmosfera, fornecendo uma solução projetada para mitigar as mudanças climáticas [1]. Quando associado ao sequestro geológico de carbono, esse processo é conhecido como DACCS (Direct Air Carbon Capture and Storage). O projeto DAC.SI no Brasil representa a primeira incursão da América do Sul nessa tecnologia, com três unidades em diferentes níveis de prontidão tecnológica:
- A bancada de teste do DAC (operacional desde setembro de 2023)
- O DAC 15TA (operacional desde abril de 2024) com uma capacidade de remoção de 15 toneladas/ano
- A planta DAC 300TA (em operação desde novembro de 2024) com capacidade de 300 toneladas/ano [1]
Atualmente, há 27 usinas de DAC em operação em todo o mundo capturando quase 0,01 Mt de CO₂ por ano, com planos para aproximadamente 130 instalações adicionais em vários estágios de desenvolvimento [3].
Bioenergia com captura e armazenamento de carbono (BECCS)
O BECCS combina a produção de energia de biomassa com a tecnologia de captura de carbono. Diferentemente do DAC, que captura o CO₂ diretamente do ar, o BECCS captura as emissões da combustão da biomassa. As plantas absorvem naturalmente o CO₂ durante o crescimento e, quando essa biomassa é usada para gerar energia, as emissões resultantes são capturadas e armazenadas no subsolo [4].
O CO₂ Remoção
As abordagens baseadas no oceano incluem a alcalinização do oceano, o cultivo de algas marinhas e a ressurgência artificial. Esses métodos aproveitam os recursos naturais de absorção de carbono do oceano, mas enfrentam desafios relacionados aos impactos no ecossistema e à verificação do sequestro de carbono [5].
Avaliação dos requisitos de energia e do impacto ambiental de diferentes NETs
Eficiência energética
O projeto DAC.SI informa que seu sistema DAC 300TA requer aproximadamente 1.289 kWh por tonelada de CO₂ capturado, sendo 398 kWh para componentes elétricos e 891 kWh para energia térmica [1]. Essas são metas, definidas no início do projeto, que não estão sendo cumpridas atualmente.
Isso apresenta oportunidades de integração com fontes de calor residual em áreas industriais.
O BECCS, em comparação, pode potencialmente gerar energia líquida enquanto captura carbono, embora o desempenho real dependa muito da fonte de biomassa, do transporte e da eficiência do processamento [6].
Uso da água
O consumo de água é outro fator crítico. O sistema DAC 300TA consome aproximadamente 2 toneladas de água por tonelada de CO₂ capturado [1]. Outras NETs variam significativamente em suas necessidades de água, com algumas implementações de BECCS exigindo insumos substanciais de água para a produção de biomassa [7].
Requisitos do terreno
Os sistemas DAC têm uma área de cobertura física relativamente pequena em comparação com o BECCS, que exige uma área substancial para o cultivo de biomassa. Os métodos baseados no oceano têm requisitos mínimos de terra, mas levantam outras considerações ambientais [8].
Como as NETs podem complementar outros esforços de descarbonização, como a redução de emissões
Abordagem de diferentes fontes de emissão
As NETs são particularmente valiosas para abordar a produção histórica de CO₂ e as emissões de Escopo 3 que são difíceis de eliminar diretamente [1]. Elas complementam as estratégias tradicionais de redução de emissões, como a adoção de energia renovável, melhorias na eficiência energética e eletrificação.
Estratégias de implementação regional
Como demonstra o projeto DAC.SI, as NETs podem ser adaptadas às condições regionais. Os vastos recursos de energia limpa do Brasil, o potencial geológico para o armazenamento subterrâneo de CO₂ (como a carbonatação mineral em rochas basálticas) e as condições ambientais únicas tornam o país particularmente adequado para determinadas abordagens de NET [1].
Integração com sistemas de energia
O projeto DAC.SI explora oportunidades para reduzir a demanda de energia por meio do compartilhamento de infraestrutura e da utilização de calor residual, aumentando ainda mais o potencial de descarbonização do DAC [1]. Essa abordagem de integração de sistemas representa como as NETs podem ser incorporadas às infraestruturas industriais e de energia existentes.
O futuro das NETs na estratégia climática global
O desenvolvimento de NETs, especialmente em regiões como o Brasil, é essencial para promover uma resposta global abrangente e equitativa às mudanças climáticas. Atualmente, as iniciativas de políticas de CDR estão predominantemente centradas nas nações desenvolvidas [9], mas a expansão dessas tecnologias para o Sul Global é crucial, dado o aumento do crescimento populacional, o aumento das emissões de CO₂ e a expansão da influência econômica dessas regiões.
A Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC) atualizada do Brasil estabelece metas para reduzir as emissões líquidas de GEE em 48,4% até 2025 e 53,1% até 2030, em relação aos níveis de 2005, com o compromisso de atingir emissões líquidas zero de GEE até 2050 [1]. As NETs desempenharão um papel fundamental no cumprimento dessas metas ambiciosas.
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Referências:
[1] Dalla Vecchia, F., et al. (2024). Leading the way: Brazil’s pioneering steps toward Direct Air Capture (DAC) deployment in South America. 17th International Conference on Greenhouse Gas Control Technologies, GHGT-17.
[2] IPCC. (2023). Climate Change 2023: Synthesis Report. Contribution of Working Groups I, II and III to the Sixth Assessment Report of the Intergovernmental Panel on Climate Change.
[3] International Energy Agency (IEA). (2023). Direct Air Capture. www.iea.org/reports/direct-air-capture.
[4] Fajardy, M., & Mac Dowell, N. (2017). Can BECCS deliver sustainable and resource efficient negative emissions? Energy & Environmental Science, 10(6), 1389-1426.
[5] National Academies of Sciences, Engineering, and Medicine. (2022). A Research Strategy for Ocean-based Carbon Dioxide Removal and Sequestration. The National Academies Press.
[6] Smith, P., et al. (2016). Biophysical and economic limits to negative CO₂ emissions. Nature Climate Change, 6(1), 42-50.
[7] Fuss, S., et al. (2018). Negative emissions—Part 2: Costs, potentials and side effects. Environmental Research Letters, 13(6), 063002.
[8] Minx, J.C., et al. (2018). Negative emissions—Part 1: Research landscape and synthesis. Environmental Research Letters, 13(6), 063001.
[9] Sovacool, B.K. (2023). Expanding carbon removal to the Global South: Thematic concerns on systems, justice, and climate governance. Energy and Climate Change, 4, 100103.
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